Actualités

Soutenance de thèse Mathilde Do Prado Teixeira Col, mercredi 30 août 2023

Mathilde Do Prado Teixeira Col soutiendra sa thèse intitulée « Lutter pour habiter la terre. Perspectives d’autonomie à travers un projet de territoire paysan dans la région Cantuquiriguaçu au Brésil (1996-2022) » le mecredi 30 août 2023 à 14 h  à la Maison des Suds (Pessac).

Jury :

  • Béatrice Collignon, Professeure, Université Bordeaux Montaigne
  • Larissa Mies Bombardi, Professeure, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Brésil
  • Mathias Rollot, Maître de conférences (HDR), Ecole Nationale Supérieure d’Architecture de Grenobl
  • Rodrigo Constante Martins, Professeur, Universidade Federal de São Carlos (Brésil)
  • Sérgio Ferro, Professeur à la retraite, Ecole Nationale Supérieure d’Architecture de Grenoble

Résumé

En ces temps de crises socio-environnementales que nous traversons, il est nécessaire de repenser nos manières d’habiter la Terre, en rupture avec les logiques prédatrices de la modernité capitaliste. Dans ce contexte, on assiste dans le monde à l’émergence de mouvements de résistance paysanne qui luttent pour défendre les territoires menacés par l’hégémonie du développement. Au Brésil, pays où les inégalités foncières sont structurelles, le Mouvement des travailleurs ruraux Sans Terre est un protagoniste de la lutte pour une réforme agraire populaire en faveur de la justice sociale et environnementale. Le terrain de la recherche est situé dans la région Cantuquiriguaçu, un territoire paysan de 87 300 hectares exploité en monoculture pendant plus de cinquante ans, où habitent aujourd’hui 4700 familles.
L’hypothèse de recherche repose sur la notion d’autonomie : sur l’idée que seule cette perspective permet de résister à la modernité capitaliste à travers un projet commun porté collectivement et sur le long terme par les paysans du territoire en question. L’analyse s’appuie sur quatre schémas de résistance mobilisés par les paysans de la Cantuquiriguaçu : la défense des communs, les stratégies d’enracinement, la recherche de la souveraineté alimentaire et la lutte pour l’autodétermination. En la matière, on y développe l’idée que la perspective d’autonomie s’est construite sur l’opposition radicale à des formes d’oppression et de violence qui opèrent à l’échelle mondiale. Elles se traduisent par la privatisation des communs, la déterritorialisation par l’exclusion, l’agrobusiness comme système de production dominant et l’ascension globalisante du néolibéralisme. Cette réalité nous a conduit à étudier d’autres formes de résistance contre-hégémonique, établissant notamment un parallèle avec le territoire du Larzac en France. Cet élargissement du regard vient enrichir la compréhension du « tournant éco-territorial » qui se dessine aujourd’hui. Il permet également d’esquisser des pistes de réflexions et d’actions pour repenser radicalement et durablement les formes d’établissement humains à partir du territoire.
MOTS CLEFS : Territoires, Paysannerie, Sans Terre, Établissements humains, Autonomie, Participation à distance : https://u-bordeaux-montaigne-fr.zoom.us/j/8834442045

ABSTRACT

In these times of socio-environmental crisis that we are facing, it is necessary to rethink the ways of inhabiting the Earth, breaking with the predatory logic of capitalist modernity. Within this context, we witness the emergence of peasant resistance movements around the world, which struggle to defend territories threatened by the hegemony of development. In Brazil, a country where land inequalities are structural, the Landless Workers’ Movement is a protagonist in the struggle for popular agrarian reform in favour of social and environmental justice. The research field is located in the Cantuquiriguaçu region, a peasant territory of 87,300 hectares that was exploited by monoculture for over fifty years and which nowadays houses 4,700 families.
The research hypothesis is based on the notion of autonomy: in the idea that only this perspective allows resisting capitalist modernity through a long term project built collectively by the peasants of the territory in question. The analysis is based on four resistance schemes mobilized by Cantuquiriguaçu peasants: defence of commons, rooting strategies, pursuit of food sovereignty and struggle for self-determination. In this sense, we develop the idea that the perspective of autonomy is built on the basis of radical opposition to the forms of oppression and violence that operate on a global scale. These are translated through the privatization of commons, deterritorialization through exclusion, agribusiness as the dominant system of production and the globalizing rise of neoliberalism. This reality led us to study other forms of counter-hegemonic resistance, and to draw parallels, especially with the Larzac territory, in France. This widening of the gaze enriches our understanding of the “eco-territorial turn” that is taking shape today. It also makes it possible to outline plans of reflection and action to radically and sustainably rethink the forms of human settlement based on the territory.
KEYWORDS : Territories, Peasantry, Landless, Human Settlements, Autonomy

LUTAR PARA HABITAR A TERRA
Perspectivas de autonomia através de um projeto de território camponês na região Cantuquiriguaçu, no Brasil (1996 – 2022)

RESUMO

Nos tempos de crise socioambiental que atravessamos, se faz necessário repensar as maneiras de como habitar a Terra, rompendo com a lógica predatória da modernidade capitalista. Neste contexto, testemunhamos o surgimento de movimentos de resistência camponesa em todo o mundo, os quais lutam para defender territórios ameaçados pela hegemonia do desenvolvimento. No Brasil, país onde as desigualdades fundiárias são estruturais, o Movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra é protagonista na luta por uma reforma agrária popular em favor da justiça social e ambiental. O campo de pesquisa está localizado na região Cantuquiriguaçu, um território camponês de 87.300 hectares que foi explorado pela monocultura por mais de cinquenta anos e que hoje abriga 4.700 famílias.
A hipótese da pesquisa baseia-se na noção de autonomia: na ideia de que somente essa perspectiva permite resistir à modernidade capitalista por meio de um projeto construído coletivamente e a longo prazo pelos camponeses do território em questão. A análise baseia-se em quatro esquemas de resistência mobilizados pelos camponeses da Cantuquiriguaçu: defesa dos comuns, estratégias de enraizamento, busca da soberania alimentar e luta pela autodeterminação. Nesse sentido, desenvolvemos a ideia de que a perspectiva de autonomia é construída com base na oposição radical às formas de opressão e violência que operam em escala global. Estas que se traduzem através da privatização dos comuns, da desterritorialização por meio da exclusão, do agronegócio como sistema dominante de produção e da ascensão globalizante do neoliberalismo. Essa realidade nos levou a estudar outras formas de resistência contra-hegemônicas, e a traçar paralelos, em especial com o território Larzac, na França. Essa ampliação do olhar enriquece nossa compreensão do “giro eco-territorial” que toma forma atualmente. Ela permite, igualmente, esboçar planos de reflexão e de ação para repensar de forma radical e sustentável os modos de assentamento humano baseados no território.

PALAVRAS-CHAVE
Territórios, Campesinato, Sem Terra, Assentamentos humanos, Autonomia

Dernières actualités